Segue um trecho do livro "O Martírio dos Suicidas" de Almerindo Martins de Castro. O livro é considerado impactante, assim como as narrativas contidas nele.
O caso que segue foi narrado pelo próprio suicida, a um amigo, pedindo-lhe que publicasse tão dramática exposição, servindo de alerta a quem pensa em suicídio:
“Sou Jacinto, seu amigo, morto há 25 anos. Matei-me com um tiro nos miolos. Lembra-se de mim? Na véspera do meu suicídio, estive no seu escritório e contei-lhe sobre minha vontade de acabar com a vida.Você me aconselhou - e seus conselhos, tive a loucura de não seguir. No dia seguinte, matei-me.
Venho agora, dizer-lhe o que é o suicídio e pedir-lhe que escreva e publique tudo, para alertar aos outros loucos que têm em mente a idéia de fugir da vida.
No dia em que me matei estava desesperado e você sabe os motivos. Ajeitei o revólver no céu da boca. Dei o tiro, mas verifiquei ainda estar vivo, sentindo dores agudas e ouvindo os gritos dos meus familiares - mas não podia me mover. Continuei com o corpo morto, mas sem poder me separar do cadáver. Assim paralisado, assisti aos funerais ouvi os lamentos e as recriminações dos presentes, pelo meu ato. Horrorizado, vi fecharem o caixão sobre mim. Fui conduzido, assistindo a tudo e sempre sentindo a dor do ferimento da boca.
Carregaram-me ao cemitério, me enterraram e me deixaram sozinho. Senti a sufocação do fundo da cova, mas não podia fazer o mais leve movimento. Estava colado ao corpo morto! As dores que sentia eram fabulosamente insuportáveis. E, logo a seguir, passei a sentir o cheiro do corpo apodrecendo. Senti as mordeduras dos vermes, milhões de mordidas ao mesmo tempo, por todo o corpo. Dores incríveis!
No dia em que me matei estava desesperado e você sabe os motivos. Ajeitei o revólver no céu da boca. Dei o tiro, mas verifiquei ainda estar vivo, sentindo dores agudas e ouvindo os gritos dos meus familiares - mas não podia me mover. Continuei com o corpo morto, mas sem poder me separar do cadáver. Assim paralisado, assisti aos funerais ouvi os lamentos e as recriminações dos presentes, pelo meu ato. Horrorizado, vi fecharem o caixão sobre mim. Fui conduzido, assistindo a tudo e sempre sentindo a dor do ferimento da boca.
Carregaram-me ao cemitério, me enterraram e me deixaram sozinho. Senti a sufocação do fundo da cova, mas não podia fazer o mais leve movimento. Estava colado ao corpo morto! As dores que sentia eram fabulosamente insuportáveis. E, logo a seguir, passei a sentir o cheiro do corpo apodrecendo. Senti as mordeduras dos vermes, milhões de mordidas ao mesmo tempo, por todo o corpo. Dores incríveis!
Muito tempo depois, a carne foi se separando dos ossos, foi se acabando e eu sempre ali, sentindo as dores e assistindo a tudo.
A sede, a fome e o frio me torturavam. A dor do ferimento da boca nunca me abandonou. Jamais tive um único minuto de descanso, em que eu pudesse dormir. O jazigo foi aberto duas ou três vezes, para a colocação de cadáveres de pessoas da família. De quem? Nunca pude saber, porque não conseguia ao menos ir olhar quem estava enterrado ao meu lado.
A sede, a fome e o frio me torturavam. A dor do ferimento da boca nunca me abandonou. Jamais tive um único minuto de descanso, em que eu pudesse dormir. O jazigo foi aberto duas ou três vezes, para a colocação de cadáveres de pessoas da família. De quem? Nunca pude saber, porque não conseguia ao menos ir olhar quem estava enterrado ao meu lado.
Nestes últimos dias, fui libertado! Vou continuar minha condenação em outro lugar. Antes disso, aqui estou para pedir-lhe que diga aos que sofrem, o que é o suicídio.
Esta é minha contribuição.
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